segunda-feira, 26 de março de 2018

O que é importante? (Lc 10.38-42)



Sempre ouço que é preciso saber viver, principalmente, em meio a tantas inversões de valores, na vida em comum da comunidade, o que nos afeta diariamente, até a dificuldade em estabelecer relacionamentos. Não sabemos para onde vamos ou qual é o nosso papel nesta sociedade, e preenchemos esse vazio existencial trabalhando. Agora, saber viver é preencher seu tempo com excesso de trabalho? 

Jesus alertou Marta em relação ao excesso de trabalho. Sabemos que buscar o reino dos céus em primeiro lugar, quer dizer escolher a melhor parte: o próprio Cristo. E em meio a todo aquele serviço e hospedagem, os discípulos entrando, saindo e estavam ali para cear, Maria larga tudo para ouvir o mestre. Porque se deu conta que estava acontecendo algo que mudaria a humanidade, e que era mais importante que seus afazeres - por isso, larga tudo e senta aos pés de Jesus, ouve com atenção, pois neste momento, algo extraordinário daria sentido à sua vida. 

No entanto, Marta continuou seus afazeres. Ao se ver sozinha, estressada, não percebe que apenas uma coisa, a melhor parte, a qual Maria escolheu, era importante - e esta, não lhe seria tirada. 

A parada de Maria diante dos seus afazeres é nossa reavaliação da vida. As palavras de Jesus a conscientizaram que o segredo da vida não está no excesso de coisas a fazer - como muitos pensam e se entregam - mas parar tudo o que está fazendo e ouvir a Jesus, e perceber, como Maria, que está diante da eternidade - o que dá todo sentido à nossa existência. 

Mais que servir a Jesus, é ouvir a Jesus - eis nossa transformação! Jesus não veio para que as pessoas ficassem mais agitadas ou estressadas com as coisas, como Marta, mas para que reavaliássemos o sentido da nossa existência, onde as palavras de Jesus pudessem gerar vida a quem as ouve. 
Algum dia, após a oração, já parou para ouvir Jesus Cristo falar com você?
Gostaria de convidá-los a fazer isso hoje...


Graça e paz, da parte do nosso Senhor Jesus, o Cristo!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

E Jesus chorou... - Lc 19.41-44

Jesus chorou em 3 ocasiões: junto ao túmulo de seu amigo Lázaro, no Getsêmani, e junto a Jerusalém. No grego, o choro de Jesus é com gemidos e soluços, algo profundo (Lc 19.41). Chorou, orando com forte clamor, pela culpa humana - nos ensinando como olhar para as mazelas do próximo - o choro sobre Jerusalém foi pelos problemas sociais, religiosos farisaicos, corrupção e descrédito aos seus profetas, pois destruiu-se a si mesma.

Assim como Jesus, nós também, se olharmos para trás vemos quantas oportunidades a nação tem desperdiçado e sido ignorante no conhecimento de Cristo e o plano perfeito de Deus. Ao olharmos para o povo, assim como Jesus olhou, vemos ignorância e cegueira espiritual em seus corações. Jerusalém deveria reconhecer o Messias, eles tinham já a Palavra dada através dos profetas. Ao olharmos ao nosso redor, vemos atividades religiosas distantes do Evangelho do Senhor, assim como Jesus viu no templo o covil dos salteadores e líderes religiosos (é só assistir a Tv). A inveja destes procuravam matar Jesus Cristo.
Assim como hoje, há muita religiosidade, mas nenhum conhecimento do Cristo.
Ao olhar para o futuro, Jesus chorou por ver o terrível julgamento da parte de Deus sobre Jerusalém. Saqueada e destruída, vendidos e perseguidos como escravos pelo mundo afora, não reconheceram o tempo da visitação enquanto Jesus foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, mas eles não o receberam: "Não queremos este homem reinando sobre nós" (Lc 19.14). 

Apesar de tudo o que Jerusalém representava, o templo de Salomão, as manifestações e habitação de Deus na terra e casa de oração aos povos, tais alegrias terrenas não trouxeram alegria a Jesus, sua tristeza não tinha alívio nem no passado, nem no presente, nem no futuro. Todos celebravam, mas Jesus chorava, não por si, mas pelos homens, pela cidade que o rejeitaria e o crucificaria - jamais pelas dores que sofreria.
Temos que compreender a compaixão de Jesus ao chorar, Ele é o Emanuel - o Deus conosco, que chora por nós porque nos ama e se importa conosco. As lágrimas de Jesus revelam o coração de Deus, onde Ele e o Pai são um: quem vê o Pai, vê Jesus.
Buscai o Senhor enquanto pode se achar. 

A terrível ignorância foi a derrocada de Israel: "Ah, se conheceras..." - Não, eles não conheceram.
- "O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende" (Is 1.3)
Não conheceram a Deus, nem o Filho de Deus que veio para derramar Graça e misericórdia. 
Acho mesmo que alguns não tenham a luz e ainda vivam nas trevas.
Acho mesmo que muitos, embora saibam a verdade, andam na mentira e não, segundo a verdade.
Acho mesmo que muitos ouçam e veem, mas continuam surdos e cegos espiritualmente.  

Jesus chorou sobre Jerusalém, embora fosse a cidade dos profetas, dos escribas e mestres, perecia por não conhecer a Deus. Odiavam o conhecimento da verdade e não temeram ao Senhor, desprezando-o. Escolheram morrer nas trevas e não vieram para a luz do Filho de Deus.
Há alguma diferença dos dias de que vivemos hoje?


Graça e paz, da parte do nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Comunhão: ficar parado ou encher a terra? (pte.1) - Gn11.1-9

Se a justiça não é vista nas ruas, o Evangelho não chegou a estas pessoas como devia. Se as pessoas as quais falamos/pregamos o Evangelho não mudam, nem são semelhantes a Jesus, então estamos pregando algo diferente do que Jesus pregou. Veríamos o mesmo impacto quando Jesus falou. É possível que o Evangelho que pregamos não seja o Evangelho de Jesus. Problema pode estar no evangelista.
Quando a Palavra de Deus começa em mim e não chega como deveria em você, possivelmente saiu de mim carregada com minhas intenções, dogmas, impressões, ideologias, eclesiologia e filosofia. O problema está na pessoa (evangelista) não no Evangelho. Servimos a uma geração que ouve com os olhos e não mais com os ouvidos, e acreditam mais no que veem jamais no que ouvem.
A Palavra de Deus se perde quando quem ministrou é pego com dólar na cueca. Somos aquilo que vemos jamais o que ouvimos, só que João nos diz que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. O que se vê tem muito mais poder do que aquilo que se ouve.
Não há dúvida no que fazer, mas no que ser, pois é ensinado às ovelhas o que fazer, mas não como ser.

Em Gn 11.4 o povo tem a grande ideia de construir uma cidade e ficar juntinhos com Deus, para sempre. A proposta era comunhão, caminhar juntos. Lembrando que Deus rejeita, confunde as línguas e acaba com os planos humanos, pois não havia comunicação edificante.
Porque então Babel foi rejeitada por Deus?
Porque a comunhão foi fruto de um afastamento histórico existencial por parte do povo, já que em Gn 9.1, Deus abençoou Noé e mandou que enchesse a terra, essa era a ordenação que Deus queria: escrevam a história, caminhem e espalhem vida na terra. Essa era a ordem original, a missão do povo de Deus, mas enquanto na Babilônia disseram que iriam fincar os pés e ficar. 
Babel, portanto, era fruto da desobediência a Deus, e este tipo de ajuntamento, foi rejeitado.
A marca mais contundente do evangelismo é o "ir, encher a terra com a justiça de Deus". Não o permanecer, ficar para a própria preservação.
(Leia a continuação)
                                                                                                                                                                                    

Comunhão: ficar parado ou encher a terra? (pte.2) - Gn 11.1-9

O Evangelho de hoje está mais para "vinde" que para o "ide". Nosso trabalho é voltado para o ir, multiplicar, encher a terra, ou auto-preservação? Para se pensar. 

A comunhão que Deus quer não é ajuntamento, é comunhão como missão, é visão, não ajuntamento. E se a comunhão que fazemos não promove a consciência do "indo" (fato permanente e constante), terminará no ajuntamento, também não é fecundo, e arrisco dizer que toda vez que Deus nos visitar será para acabar com a nossa reunião. Para quem vive a teologia da manutenção, autopreservação, não cumpre a missão, busca a presença de Deus para a própria desgraça.
A comunhão deu errada porque era fruto errado, não do ajuntamento, mas da missão. Missão produz vidas. E outra, a cosmovisão do povo, estreitou-se, porque resolveram parar. Antes, caminhavam até chegar às planícies da Babilônia - lugar de melhor água e terra mais fértil jamais vista. Buscavam, portanto, conforto, prosperidade, enriquecimento, e acharam tudo para uma vida equilibrada. O conforto gerou neles uma deformação da visão de Deus para o homem, distorceu a ordem de encher a terra, pregar o Evangelho a toda criatura, até os confins do mundo. 
E nos dias de hoje, a teologia da prosperidade manda olhar para o próprio umbigo. 
Cadê o"ide"? 
Tem ajuntamento? 
Pra que sair? 
Estacionamento, ar condicionado, cadeiras confortáveis, telão, mesa de som. Nós estamos bem, mas e o resto? Sim, porque "resto" é como são tratados àqueles que não tem acesso á água, alimento, saneamento básico. Isso está longe de ser cristianismo. Não pode ser mais uma comunidade de fé - pois fé é a certeza de que o futuro já está pronto, ainda não chegamos, mas celebramos como se já fosse passado. Quem vive pela fé não conhece estagnação na vida. 
Nossa postura neste mundo tem sido de influenciá-lo ou da autopreservação? 
(leia a continuação)

Comunhão: ficar parado ou encher a terra? (pte.3) - Gn 11.1-9

Os homens queriam ficar ali e ser somente para eles. Nos colocamos no centro do universo, e se está bom, não precisa sair. E se o homem está centro, não posso crer mais no Evangelho, porque o Evangelho diz que Jesus é o centro. Protágoras diz que todas as coisas convergem nele, ao contrário do Evangelho, que tudo e todas as coisas convergem em Cristo - dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. 

Este povo só pensava em si, suprir suas vontades, uma comunidade (igreja?) inerte onde os pensadores evangélicos ficam por ali mesmo, imaginando, falando, cantando, louvando, mas para dentro, nunca praticando o "ide", nem alcançando ninguém.
É melhor não ser do que ser para si mesmo. 
Assim como Caim, temos que ter a resposta para Deus: "Onde está o teu irmão?" (Gn 4.9). Se é para ser só para nós, então não serão - Deus vem e acaba com os projetos dos homens que queriam viver em comunhãopertinho dEle.
Acho que deveríamos ao menos refletir nisso. 

Quantos "cristos" dentro de ministérios estão morrendo ou adoecidos? Será que este ministério onde você está é mesmo de Jesus? Será que esta igreja onde você tem comunhão não é a 'sua' igreja? Ou age como se fosse sua? Será que não queremos preservar nosso próprio nome ou cargo nesse ministério? Se uma Igreja não vive para servir mas vive para preservar o próprio nome, Deus virá e destruirá, assim como Babel. O texto me garante esse raciocínio.
(continua)

Comunhão: ficar parado ou encher a terra? (pte.4) - Gn 11.1-9

Se há uma crise existencial, há um choque de vontades - a vontade de Deus é servir, a vontade dos homens é serem servidos, viver olhando para o próprio umbigo, o que prevalecerá é a vontade de Deus.
E a igreja que não se submete à vontade de Deus, não é mais igreja de Deus, e se é assim, não precisa de Deus. E Deus, ao se manifestar contra esta igreja, será como ladrão (Ap 3.3b): "Tem fama estar viva mas está morta, diz que é minha mas não faz minha vontade, sua motivação é outra, e se não se arrepender, virei contra ti como ladrão" - Neste caso, Deus não voltará para nós, mas contra nós. No modo e na missão, sem que percebamos: roubar, matar e destruir. Lutar contra o diabo, ainda há esperança, apesar do nosso pecado, porque há poder no nome de Jesus e Sua Graça nos cobre de todo pecado. Agora, lutar contra o próprio Deus? Que esperança teremos? 

Quando o assunto é o seu povo, ser para si mesmo, é melhor para Deus a divisão do que a apostasia (mais que abandonar a fé, é abandonar a missão), já que uma igreja morre não quando para de se unir, mas quando para de servir. É uma ofensa para Deus não amar o próximo, porque este, também é Seu filho - mesmo que num espojadouro de lama, mas é ainda filho.
Podemos ser melhores, somos chamados para servir, então, conheçamos as necessidades do homem contemporâneo: deixar de ser individualista e egocêntrico. Yung, diz que o processo de "individuação" evolui do estado infantil para um estado de diferenciação. Cresce, identifica e amplia sua consciência. Ministremos como fez Jesus, tanto no macro (sermão da montanha), como no micro (ladrão dos impostos, crianças). Este ser (individuação) se identifica com o gadareno, Jesus vê uma pessoa que diz: "Somos legião" (muitos em um, impedindo o indivíduo de ser ele mesmo). Jesus então restaura a humanidade neste homem, devolve a sua individuação - em pé, quer segui-lo, e Jesus diz para que este volte para casa e seja o novo homem transformado, pois sua família precisa conviver e saber que ele os ama.

Passamos por uma crise de fé, geral e irrestrita, em todas as instâncias, não acreditamos em mais ninguém, aumento dos desigrejados, perdemos a fé nos homens de Deus, e em Deus, por causa do testemunho, ou a falta dele, sem individuação não tem capacidade de ver a massa se corrompendo, mas pela Graça de Jesus, vê em nós seres que remam contra a maré e conseguimos abraçar uma pessoa como o Senhor para que continue a ser quem é, amadurecer. Não é só mudar a religião do sujeito, trazer para nossa igreja, é muito mais que isso. Nossa missão é mudar a sua essência, isso é Evangelho.



Graça e Paz!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Graça, coragem de viver - Hebreus 4:16

 A Graça é a manifestação do amor de Deus, favor absoluto. Se acredita que a vida só acontece pela Graça, não há medo. Pois Deus se declara apaixonado por nós, ao longo de nossa história, e ainda nos autoriza a perguntar quem será contra nós, se Ele nos ama?
Desse modo, os medos se vão e em relação a tudo - seja o medo de viver ou o medo de morrer, medo do presente (catástrofes) ou do futuro (cenas apocalípticas), medo dos anjos ou demônios, dos poderes humanos ou invisíveis, medo do abismo ou alturas impensáveis, medo de qualquer criatura maligna, e até medo do juízo. 

Em razão da Graça, Paulo pergunta: "Quem nos separará do amor de Cristo? (Rm 8.35); Quem nos condenará?" (Rm 8.34). E nem mesmo Nero ou Calígula, contemporâneos de Paulo, puderam amedrontá-lo. Ora, durante muito tempo não tive medo, pois acreditei que mesmo quando um exército se acampasse contra mim, meu coração não teria medo (Sl 27.3). Mas só quando os exércitos se acamparam verdadeiramente contra mim, meu coração tremeu e foi-se minha esperança. É verdade. Até o dia que admiti, que mesmo os Salmos que tanto li e cria, e eram esperança para mim em tempos de dificuldade, eu não vivia estes Salmos, pois não passei pelas situações sobre-humanas daqueles que os escreveram. 

Conheci a Graça de Deus em meio a desprezo, medos, sarcasmo, acusações, ironias e zombarias. Conheci a Graça, ao estar sozinho, eu e o mundo, sem mãe nem pai aos 24 anos. E também na falta deles. Trabalho e faculdade, sempre em meio a acusações e perversidade. Aprendi, na vida prática, que a Graça (sim, com letra maiúscula!) é melhor e maior que a vida. Alguns anos depois, em 2006, procurei me satisfazer com o amor de Deus, mesmo com a descoberta do desamor de alguns.
Ao perder meu pai em 27/12/2012 e minha mãe em 25/07/2014, acabei com o poder da morte sobre mim, e encontrei o poder da vida. Um imenso desejo de viver, de passar pela tristeza sem ficar triste, me empurrou para frente. 

A Graça, como conheci, me leva ao céu e aos vales, aos desertos e às montanhas, à fartura e à escassez, à saúde e às enfermidades, aos ganhos e perdas, mas fui conduzido em todas estas situações, em triunfo - porque ainda estou aqui contando isso. Aprendi o verdadeiro sentido de "Posso todas as coisas naquEle que me fortalece" (Fp 4.13) - Tudo o que? O que me faltar, não o excesso. 
Na Graça, há livramentos, já que tudo o que é sem vida, sem significado, é tirado da nossa vida. 

Por isso tudo, a fé de que não era o fim fez com que qualquer medo fosse embora. No amor, não há medo. Antes, o perfeito amor lança fora todo o medo.
Porém, aquele que perde o medo graças a confiança em si mesmo, este é o "forte". Mas o "fraco" é aquele que confia na Graça do Senhor.
O medo de alguns é tratado como o percebemos: instinto de segurança. O medo protege da covardia, mas o amor liberta os covardes, lançando-os para a viver a vida. A proposta da Graça sobre nós é confiar na entrega, no descanso da fidelidade de Deus. E só podemos fazer isso em amor, confiando.


Graça e paz!