segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Boas obras na vida cristã (pte.6) - Mt 5.1-16



O reino do céu é nosso, nos foi dado. Deus habita e reina em nós, e somos felizes porque abraçamos, não porque fazemos boas obras.
Somos felizes não por nos compadecer de todos, mas porque Deus faz nossa compaixão dar resultados, e assim, somos consolados. Somos felizes não por distribuir o que recebemos, mas porque temos ainda mais para distribuir - nós herdamos a terra. Somos felizes não porque queremos justiça, mas porque Deus ouve nossa oração e fará obras maiores em nosso meio. Somos felizes não porque tratamos bem ou reconhecemos valores, mas porque Deus nos trata com dignidade, apesar de pecadores. Somos felizes não porque somos limpos de coração,  mas porque acreditamos que por trás dessa sociedade caótica, Deus sempre aparece e diz: "Fique tranquilo, Eu estou aqui" - e só então investimos. Somos felizes não porque levamos as pessoas a terem uma mensagem de paz, mas porque Deus nos chama de FILHOS, e somos reconhecidos - até porque, para ter um coração assim, só sendo filho mesmo de Deus. Somos felizes porque Deus reina em nós, porque só fazemos algo de bom porque a resposta para nossas orações é: "Fiquem tranquilos, abençoarei vocês como abençoei os profetas". A gente não merece, mas Deus, apesar de saber tudo (onisciente), abençoa, até porque os profetas viveram assim. 

O maior presente pra mim, seria: "Rapaz, você viveu como os profetas, que vieram antes e sofreram perseguições". E apesar da vergonha, ficarei com o sentimento de realização, ciente de que o Senhor fez em mim algo tão extraordinário que eu jamais imaginei que pudesse acontecer na minha vida. "Servo bom e fiel" - não... Deus, o Senhor é bom e fiel!! Bendito seja o Teu nome.



Graça e paz!

sábado, 16 de novembro de 2019

Ser como criança, não infantil (pte.1) - Mt 18.1-5


O ser (o estado do homem) criança é bíblico. Ser como criança é a principal condição para entrarmos no reino de Deus. Desde o jardim do Éden a Trindade prometeu uma criança (Gn 3.15), e em toda peregrinação espiritual, conduziu seu povo até que essa criança nascesse de mulher através do Espírito Santo, para salvar a humanidade. Os judeus apresentam essa criança à humanidade (sim, Jesus era judeu e cumpriu todas as tradições judaicas), para que tenhamos Salvação. Essa criança cresceu, em Graça e sabedoria, e diante do homens, convidou: "Quem quiser viver sob o reino de Deus que se torne uma criança". 

Discorro a relação de uma criança com o Pai, na visão da criança, que para ela (eu ou você) o Pai sabe tudo e pode tudo. Esta criança confia, sem medo da vida, em ser feliz.
Imagine um pai que colocando a criança no alto, pede: "Pode se jogar que eu te pego". E a criança se joga... porque confia.
Uma criança feliz, obedece, depende e descansa nos braços do Pai, porque ali ela quer estar, ama o que vê e se sente amada, segura e salva. Uma criança assim só pode ser feliz. 

E há pessoas com problemas de relacionamento com o Pai (relacionais e existenciais) porque não viveram a fase do super-homem e ficou um vazio, uma ausência, uma busca dentre outros relacionamentos.
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Ser como criança, não infantil (pte.2) - Mt 18.1-5


O ser criança até aqui é ser como Jesus, onde Pai e Filho eram um só.
Uma criança não é dominada por ambições, como no v.1 onde os discípulos se preocuparam em "Quem era o maior", uma vez que Jesus falava do "reino" - se tem reino, deve ter cargos, hierarquias, poder, suce$$o, etc - o que revela qual a real motivação. O contraste é que os mesmos discípulos aprenderam com Jesus uma vida simples, amar a Deus e ao próximo.
Quem tem ambição não é feliz com o que tem, sempre quer mais, sempre insatisfeita. Satanás ambicionou ser como Deus, Adão e Eva também. A Igreja está do jeito que está hoje porque muitos a veem como os discípulos viam: possibilidade de posição, poder, suce$$o, hierarquia. Enquanto no reino de Deus a posição mais importante é servir. 

Uma criança não é dominada por preconceitos. Antes de nos convertermos, recebemos informações sobre religião, práticas e ideias sobre Deus que muitas vezes impede experiências profundas com o Pai. A criança acredita no que dizemos. Não há preconceito contra nada nem ninguém, não impõe sua opinião. Jesus sempre andou e recebeu os que sofriam preconceito: pecadores, prostitutas, leprosos, cobradores de impostos, iletrados. 

A criança é humilde. Em Mt 18.4, Jesus ressalta: "Aquele que se humilhar como essa criança, será o maior no reino dos céus". O exemplo de humildade é a criança, o que agrada a Deus ("Aos humildes concede Graça" - I Pe 5.5) - tanto para com o próximo (horizontal) onde cede para ficar em paz e gerar o bem ao próximo, quanto em relação à Deus (vertical), onde um espírito humilde reconhece que precisa de Deus, não pode viver sem Deus.
O centurião (Lc 7.6,7) foi humilde como uma criança, a ponto de surpreender Jesus. 

A criança perdoa, fácil. Pode até brigar, chorar, ficar "de mau", mas daqui a pouco, as crianças estão brincando novamente, por que se perdoaram. Optaram pelo amor e perdão, não a vingança. Preferem ser felizes do que ter razão (orgulho). Já os adultos que brigam por causa da briga das crianças, não se falam nunca mais.
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Ser como criança, não infantil (pte.3) - Mt 18.1-5

Ao falar que devemos ser como criança, Jesus alerta para não ser infantil (I Cor 14.20). As características de criança devem ser mantidas: Crianças não sabem o que é gratidão (não tem medida do que é feito em favor delas). O que é o sacrifício feito pelos pais (a ponto de dizermos: "Diz obrigado pra mamãe", pois eles não sabem), assim como não sabem o tempo ("Quanto tempo falta para o Natal?"), a distância (na estrada, perguntam a cada 5 minutos: "Já chegou?"). Por valores (não importa a conta bancária ou se interessam pela troca de favores) ou pela importância (um porteiro, um traficante ou empresário tem o mesmo valor para uma criança). Não passa pela cabeça de uma criança alguém ser melhor que o outro. Enfim, Jesus coloca um padrão para nossa espiritualidade: a criança. 

O que me marca neste texto é que uma criança jamais perguntaria "Quem é o mais importante nos céus?", como os discípulos fizeram.
Jesus, mais que ser aquela criança prometida no Éden, deu exemplo: se fez criança para que todos o sejam também, aos nascidos de mulher, renasçam através do Espírito Santo, cresçam em graça e sabedoria. E afirmou: "Eu dei o exemplo, agora sejam assim".
Jesus mostrou que o Pai é nosso, mostrou quem era e como era o Pai: tudo para nós e tudo em nós, se formos como criança.
O Pai enviou Seu Filho, para nos reconduzir ao Pai, nascermos de novo, e pelo Espírito Santo, sermos filhos herdeiros, co-irmãos com Cristo - legítimas crianças! 

Quando eu crescer quero ser como criança...



Graça e paz, naquEle que nos ensinou como viver e como morrer!

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Pobreza e injustiça (pte.1) - Mc 14.7



Imagine que está tomando um café bem gostoso numa padaria chic, pensamento longe nos afazeres, e uma menina com olhar triste, mão na boca e pés descalços entra e pede um pão.
Muitos podem pensar: "Como deixam uma menina entrar assim?". Sem saber como agir, muitos também põe uma moeda na mão da menina e desejando muito que ela vá embora, solta um sorrisinho, e pronto. Sim, a pobreza nos incomoda. O pobre também.

Já ouvi gente dizer que dá esmola, ou um trocado, porque pode ser um anjo do Senhor, ou que a sua parte ele faz, mas se essa menina (ou os pais dela) compram drogas, bebida alcoólica ou se prostituem, não é problema de quem deu esmola. Por mais que respeite, não concordarei jamais, pois quem dá esmola, muitas vezes quer dizer "este problema não é meu". Modo fácil de virar as costas para um problema que, ou é derivado da nossa ação, ou da ausência dela.

Diante da pobreza avassaladora que nos cerca, justificamos o fato de Jesus dizer que, como "os pobres sempre terão convosco" (Mc 14.7), então, não temos culpa, será assim e pronto. E caminhamos indiferentes, superiores, achando que o problema não é nosso.
O detalhe maior deste verso é que há uma saída: se quisermos, podemos fazer o bem, ou seja, temos a oportunidade de não sermos mais indiferentes aos que nada tem, e amarmos este próximo. Foi o que disse Jesus. Sempre teremos os pobres conosco devido à dureza do nosso coração - em não dividir o que sobeja, em cobrar alto a quem nada tem. Agora, e se mudarmos nosso coração?
Não use a Palavra de Deus para justificar a pobreza nem a (nossa) injustiça que a gerou. Jesus constatou que "a dureza do vosso coração" (Mt 19.8) dura até hoje, gerando o divórcio e a pobreza. Acredito que Jesus gostaria de ouvir: "Mestre, já não há mais menino(a) descalço(a) entre nós".

A Bíblia é explícita no que concerne a relação entre o pecado da opressão e exploração, e a existência do pobre e da pobreza. A injustiça deve ser denunciada, uma vez que Deus é justiça, e o seu povo (cristão) deve ser santo. 

Continuo firme, até que me provem o contrário, de que o texto de At 2.42-47 e At 4.32-35 é dos mais profundos no que diz respeito a suprir a necessidade básica do próximo, onde naquela padaria chic, as meninas pedintes, provavelmente, estariam usando sandálias. Não é a toa que o povo perseverava na doutrina ensinada pelos apóstolos, no templo, na comunhão, no partir com alegria o pão, nas orações, tinham tudo em comum, e de coração simples repartiam os bens, e o povo ao ver sinais e maravilhas, os recebia com graça, onde havia temor e louvavam a Deus, e a Igreja só crescia, pois Deus, acrescentava os que deveriam ser salvos - pois em sua simplicidade, havia dependência de Deus, em tudo.

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Pobreza e injustiça (pte.2) - Mc 4.7


A fome e miséria identificados são dos que estão abaixo da linha da pobreza (segundo o Banco Mundial), ao faltar as necessidades básicas (água, comida, roupa, abrigo, saneamento, educação, saúde), onde 1,1 bilhão de pessoas vivem e onde morre 1 criança a cada 3 segundos. O contraste são crianças descalças pedindo pão em padaria chic. Diferenças sociais, físicas e materiais, raça, sexo, cultura, capacidades e oportunidades, que demonstram o abismo entre a miséria e opulência, entre a mesa farta e outras sem comer há dias.
Essas desigualdades cresceram ao longo do séc.XVIII, com o liberalismo, quando a industrialização catapultou as oportunidades fomentadas pelo capitalismo, alterando a relação trabalho-capital. Os feudos avistavam seu fim, assim o homem trabalhador era virtude, pois fazia o bem para a sociedade. Assim, a riqueza era demostrada como triunfo, vitória, enquanto o inverso disso, a pobreza era o fracasso pessoal. Ricos ganhavam dinheiro, enquanto pobres cuidavam dos bens do rico. Se Deus era testemunha do esforço e suor do trabalhador pobre, e a pobreza e fracasso se davam pela ausência de Graça, então, o pobre era assim porque Deus quis.
O pobre ganhava para a sobrevivência. Ricos, são ricos a custa do pobre, e assim ficavam mais ricos, mas precisavam do pobre trabalhando para eles para ficarem mais ricos. E então, "os pobres sempre os terão convosco" está plenamente justificado.

A desigualdade é refletida nas relações sociais. Karl Marx teorizou sobre a liberdade (compra/venda) e igualdade (social), pois só expressavam o interesse de uma minoria, o que foi pouco equilibrado com a justiça trabalhista. O capitalismo precisava da igualdade jurídica (patrão/empregado).

Se a sociedade são atividades dos homens, ações humanas que tornam esta sociedade possível, elas organizam e mostram as relações humanas - e as desigualdades sociais são portanto, o domínio da propriedade (fato jurídico e político). Essa dominação dá origem às desigualdades de um sistema social, passam da desigualdade econômica para a desigualdade cultural, e desigualdade política. Isto, nos ajuda a ter melhor compreensão de nós mesmos e do próximo.

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Pobreza e injustiça (pte.3) - Mc 14.7



A culpa é de Deus? Se todas as riquezas do mundo fosse (re)distribuídas com equidade todos seriam ricos. O problema no Nordeste, por exemplo, não é a seca. É a cerca. Se as distribuições tanto de renda, como de bens e serviços, fossem justas, as lixeiras teriam a função apenas de guardar lixo. E a indústria da reciclagem não prosperaria à custa do pobre. 
A riqueza gera pobreza, quando devia subsidiar e dividir. A minha riqueza é a sua pobreza. Existem pobres porque existem ricos - onde a riqueza deveria atingir a todos, ser bênção, ela se torna o berço de todas as injustiças, a raiz de todos os males.
Sem rodeios, Tiago afirma em sua carta que os ricos oprimem os pobres: não há riqueza sem opressão. A desigualdade é mantida na base da violência contra o próximo. É simples pensar que o mandamento de amar seu próximo resulta na equidade.
A Igreja primitiva descobriu essa verdade e eliminou, ao menos, as maiores distorções sociais.

A vida dos ricos também é infeliz, é uma tragédia dentro do luxo. O rico tem tanto dinheiro, tanto dinheiro, que só tem dinheiro. O dia que perder esse dinheiro não lhe restará nada. O dinheiro pode comprar uma casa, mas não um lar. Pode comprar uma mulher, mas não uma esposa. Pode tratar sua doença no melhor hospital, mas não trará a vida perdida de volta. A riqueza material não é condenável, mas tem armadilhas para o espírito, e é difícil chegar ao céu, como Jesus diz (Mc 10.25).

Só a infelicidade é equivalente. Num mundo maligno, onde seu príncipe reina (vemos suas ações todos os dias), não será possível enriquecer sem ganância, abdicando da justiça. Riqueza e felicidade só estarão juntas no millenium, prova que poderíamos tê-los agora, nos dias de hoje.
Quando vejo famílias nos lixões, vivendo de recicláveis, vejo que falhamos. Deus fez sua parte. Agora, cabe fazer a nossa.


Graça e paz do Senhor Jesus!