segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Epifania (pte.3) - Mt 2.1-14


Assim como Abraão, leal e abençoado, Deus se manifestou, houve relacionamento, sem inferno. Porém, quando a promessa de Abraão chega, nasce seu filho Isaac, ponte para todas as outras promessas de Deus (para que fosse uma grande nação), onde Isaac é a chave, é que Deus pede o sacrifício dessa promessa. Pronto, eis o inferno. Preservar o sonho de Deus e obedecer ou não sacrificar o que é meu e romper com Deus? Não há saída. Mas, ao contrário de muitos de nós, Abraão obedece, confiando que Deus tinha mesmo a boa, agradável e perfeita vontade para ele.

Deus mostra aqui como o mundo é sem ter parte com Ele. O que nos tornamos quando saímos da Sua presença e vivemos independente da filiação. Talvez um Caim. E em meio a este desespero, quando as coisas não saem do jeito que planejamos ou gostaríamos que fossem, é que buscamos a Deus. E será perfeito quando buscarmos de todo nosso coração.

Abraão foi ao inferno, bem como alguns de nós. Alguns tem Deus para levá-los ao inferno, para que acorde, e trazê-los de volta. Outros, não. Estes nunca foram ensinados, e não sabem como sair dessa situação, pois àqueles que deveriam ensinar e praticar o Evangelho, não fizeram a lição de casa.

Quando Deus te chamar, Ele quer intimidade, relacionamento. Porém, saiba que, em meio a essa construção chamada 'relacionamento' passaremos pelo inferno. Imagine Abraão dizendo para Sara: "Olha, vou orar, sacrificar no monte, matar Isaac e já volto". Sara, provavelmente, falaria como a mulher de Jó. O coração de Abraão ficou igual ao coração de Jó: "Deus me deu, Deus o tomou - Bendito o nome do Senhor!" (Jó 1.21). 

Muitos pensam que Abraão passou no teste, então. Mas Abraão, tenho certeza, perguntaria: "Mas que teste?". Abraão passa pelo teste e permanece fiel a Deus, ainda que corra o risco de perder tudo. Ele poderia dizer: "Me tire tudo, menos Isaac!" - este era o "tudo" de Abraão. E é por isso que tinha que ser o Isaac.

Você seria capaz de devolver tudo o que Deus te deu?

(leia o post seguinte)

Epifania (pte.4) - Mt 2.1-14

É como se Deus dissesse para mim: "Márcio, sabe que te amo... Você é meu filho amado. Vi você ministrando a Palavra, louvando, orando, buscando, quer ser usado, quer minha companhia, e vi que toda sua esperança está em mim, também quer que eu me mostre a você, te guie, te abençoe, que tudo o que tens é meu, Eu ouvi... Eu gostei! Agora, filho, olha para mim: Você vai continuar me amando e nada disso acontecer? Se eu não falar mais contigo? Quando quiser ser consolado, acarinhado, meu colo, realizar seus desejos, concretizar seus sonhos, e não receber, você vai continuar me amando? Se eu tirar tudo o que te dei, tudo o que tem, vai continuar me amando e dizendo: 'Eis-me aqui'? Posso não dar mais nada a você? Posso ser Deus na sua vida? Ou prefere que Eu seja apenas patrocinador do que me pede? Você me busca para se livrar da sua angústia da alma, seu medo e ansiedade? Me busca porque tem medo de passar fome e por isso é fiel a mim? Posso pedir o seu Isaac?".

Qual seria sua resposta? 
Muitos diriam: "Pai, posso orar?" - mas vai orar para quem? É dessa forma que este seria o nosso inferno, não há mais a quem orar. É você e a escuridão, é perder ou perder - ou segue Deus e perde tudo, ou segura o que ama e perde Deus - o que na verdade é igual a perder tudo.

Acredito que a resposta que Deus gostaria de ouvir é: "Sim, Pai, o Senhor pode qualquer coisa, pode entrar na minha vida, na minha casa e tomar o que o Senhor quiser, tudo é Teu". Deus pode dizer que este será um ano de perdas. Sim, pode, e ainda que seja um ano de perdas, quero dizer: "Na boa, Senhor, se estiver comigo, passo tranquilo pela necessidade ou fartura".

(Leia o post seguinte)

Epifania (pte.5) - Mt 2.1-14

Está preparado para ouvir de Deus:

- "Aquilo que eu prometi, vai demorar uns 40 anos, ok?";

- "Está tudo bem, Senhor...";

- "Posso deixar você naufragar, ser apedrejado, na cadeia, apanhar e sofrer?";

- "Pode sim, Senhor...";

- "Filho, posso deixar você morrer por estes pecadores para redimir a humanidade? Andar sobre as águas? Curar leprosos e enfermos? Expulsar demônios? Transformar água em vinho? Ressuscitar mortos? Ser cuspido, perseguido, ofendido, apanhar, usar uma coroa de espinhos e ser crucificado? E manifestar o Meu Espírito?";

- "Pode sim, Pai".

Nessa hora, você estará suando sangue e um anjo dirá: "Parabéns, passou no teste! Foi fiel a Deus mesmo vivendo um inferno" - é aqui que experimentamos o paradoxo da Bíblia: Quem quiser preservar sua vida, perdê-la-á. E quem entregar sua vida por amor de Cristo, viverá eternamente.

Você é abençoado na exata medida que abre mão de ser abençoado (Sl 25.14). Não é para ninguém, a não ser, os que o temem. Quando Deus levar o seu Isaac ainda será fiel a Deus? Parece loucura mas é isso que Deus propõe: Posso levar o seu Isaac? Pode... Então, agora pode ficar com seu Isaac.

Quando Deus subjuga Sodoma, diz: "Meus segredos são para os que me temem, os que dizem "Sim, Senhor!" (Gn 18.17).

Quando Deus subjuga Sodoma, diz: "Ocultarei eu o que pretendo viver de Abraão? Meus segredos são para os que me temem"

(Leia o post seguinte) 

Epifania (pte.6) - Mt 2.1-14

Ás vezes, percebo que as pessoas estão viciadas no jogo da religião, onde as pessoas sabem mais as músicas que a Palavra de Deus - é bênção pra lá, bênção pra lá, lógicas que semeiam em nosso coração: Deus abrirá o mar, fará o sol parar, teremos prosperidade, que Deus falou com ele de manhã, á tarde disse outra coisa, e á noite, outra - afinal, Deus pode tudo! E é acreditando nisso que se cria a expectativa de que Deus fará tudo para que sejamos felizes. Será que as pessoas estão afogadas nesses sentimentos de que Deus vai fazer que elas contribuem mais? Pense.
Porém, a estas pessoas que vivem de promessa dos homens, vivem se arrepiando em culto, adoram cantar e gritar, quando passar a emoção, saem da Igreja. Agora está explicado o êxodo das Igrejas? 
A qualquer frustração, o melindroso se desestabiliza, fica sem chão, porque não estava firmado na rocha, e sim, na lógica da religião, que ensina o triunfalismo, que nada pode dar errado na vida de quem anda com Deus - a estes, desejo que leiam a Palavra de Deus e vejam a vida de Moisés, Abraão, Noé, Davi, Jacó, Paulo, Estevão, e claro, Jesus. E essa lógica da religião, de tão entranhada no cerne humano, quando alguém se divorcia, quando não engravidar, quando ficar desempregado(a), se foi abandonado ou maltratado, se o filho fez, se o cônjuge não fez, desaba. E ainda acusam esta pessoa de que, se tivesse feito tudo certo, nada disso teria acontecido - esta é a lógica da religião: "A culpa é minha e coloco ela em quem eu quero" - no caso, no crente, porque ele sempre ouviu que tudo vai dar certo.

A coisa é tão solta e doida que no culto de oração ou no culto no lar, anotam os pedidos de oração num caderno, e quando alguém é alcançado pela Graça de Deus e a oração é respondida, Deus vira refém das nossas expectativas, e "ai" dEle se não fizer mais milagres. Lembre, oramos porque necessitamos da Sua graça e misericórdia, não que Deus tenha que responder.
A Palavra de Deus diz claramente para nos deleitarmos no Senhor e Ele concederá os desejos do nosso coração, mas jamais diz para se deleitar nos desejos do seu coração e encher o saco de Deus para que Ele te dê o que você quer.

Não viva em função do "Isaac" que Deus te deu, viva porém, em função do Deus que deu o seu "Isaac". E ainda que não tenha o "seu Isaac", você ainda terá a Deus. Se viver em função do "seu Isaac", quando seu Isaac faltar, você se revoltará contra Deus. Já viu isso acontecer?

Imagino se Deus dissesse no culto que ficará uns 25 anos sem abençoar ninguém. Não sei quantos voltariam no domingo seguinte.

(leia o post seguinte) 

Epifania (pte.7) - Mt 2.1-14



A ironia da vida espiritual é que no domingo seguinte, talvez venham só meia-dúzia de pessoas. E são estes os poucos que continuarão a vir que começarão a ouvir os segredos de Deus, que desfrutarão da intimidade de Deus, o verão face-a-face (sem véu), ouvirão a voz do Senhor, de fato, sabe porque? Porque esta meia-dúzia de pessoas, buscam verdadeiramente a Deus se deleitam no Senhor de todo coração, e não nos desejos do seu coração. Esta meia-dúzia de pessoas, provavelmente, são os que já passaram ou estão passando pelo "inferno", por isso, buscam a Deus, em espírito e em verdade.

O culto da semana seguinte será uma reunião com os "Jós" raspando suas feridas com caco de telha, com os "Paulos" cantando louvores a Deus na prisão, sendo apedrejados por não negarem o Evangelho ou naufragando 3 vezes no mar, com os "Joões" presos numa ilha chamada Patmos, isolado do mundo, com os "Estevãos" que são mortos e apedrejados enquanto oram continuamente por seus inimigos. Mas em todos, seus olhos viram o Senhor, e são fiéis a Deus ainda que estejam vivendo seu inferno.

Então, só posso desejar epifania a todos vocês.

Senhor, se eu tiver que passar pelo inferno para que meus olhos te vejam e para te conhecer ainda mais, é isso que eu quero.
Enquanto você permanece distraído, brincando em seu jogo de religião, sendo um religioso, mesmo ruim você ainda caminha, devagar, e vai demorar.
Oro a Deus para que eu e você estejamos prontos a ouvir Deus dizer: "Sai da tua terra, da tua parentela, para um lugar que eu te mostrarei" (At 7.3). E que sejamos abençoados por isso.

Em nome de Jesus, desejo a presença de Deus na sua vida, e á todos que leem este Blog neste momento. Amém!

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Discipulado (pte.1) - Jo 14.5-14

Em minha peregrinação espiritual, e do que me lembro, desde 7 ou 8 anos, me questiono sobre Deus e seus propósitos. Alguns atributos são pessoais, intransferíveis, só nosso, enquanto discípulos. Deve haver um eterno inconformismo, bem como eterna denúncia sobre o que e como vivemos, sem os propósitos de Deus. Devemos viver uma vida que deve ser vivida (e não viver "tudo o que há para viver"), para servir e testemunhar ao mundo o nosso mestre, aquEle a quem seguimos, Jesus, o Cristo. Enquanto se vive dessa forma, jamais devemos preservar nossa santidade a custa de fugir deste mundo - muito menos, sacrificar esta santidade buscada, fugindo do mundo. Fica claro, portanto, para evitarmos o escapismo e o conformismo. O inconformismo é gerado em nós enquanto não somos participantes nem concordamos com este mundo.

Viver e testemunhar Cristo, é ser imagem e semelhança de Deus, pois nosso Pai deseja uma família com muitos filhos. É o mínimo que podemos ser, na essência de nossa existência, e portanto nossa busca diária, ser como Jesus no serviço, no amor, na fé, na perseverança, na obediência, e por fim, estar na mesma missão de Cristo.

Há que termos maturidade, e isso nada tem a ver com idade ou tempo de Igreja, nem conhecimento da Bíblia. Hoje, vejo Igrejas crescerem em número de pessoas, em dinheiro, em posses, em manifestações, mas àquilo que deveria ser e crescer - maturidade espiritual - são irrelevantes. Não há raiz, crescem sem profundidade, assim estas árvores não serão frondosas, crescem, mas serão sem fruto algum. É importante crescer na Palavra de Deus para gerar uma fé sólida. Para alcançar maturidade espiritual, sua peregrinação deve ter visão renovada, clara e verdadeira, firmada num Jesus autêntico, jamais histórico.

Um discípulo honra a criação de Deus, principalmente, o meio ambiente. Vejo pessoas saindo da Igreja onde congregam jogando lixo na rua, maltratando seu filho e esposa, ou até roubando e enganando um filho de Deus. Um dos mandamentos de Deus foi "cuidar e guardar a terra".

Simplicidade, tem a ver com humildade. Digo, sem medo de errar: não acumule riquezas que te prendem nesta terra e impedem sua entrada no céu. Que nosso estilo de vida não seja predatório, egoísta, acumulador de riquezas, desperdiçador e usurpador, mas seja simples, contribuindo generosamente, em justiça social. Nunca haverá "justiça" sem amor, lembre disso.

(leia a continuação)

Discipulado (pte.2) - Jo 14.5-14

Dessa forma, busquemos o equilíbrio, já que somos convidados a crescer em maturidade espiritual, na comunhão dos santos (Igreja) como corpo de Cristo, na adoração, ao bom testemunho, na santidade e à cidadania do reino de Deus. Dessa forma, não haverá espaço para a ênfase de um contra o outro.

Penso que, este mundo maligno e diabólico, ensina que devemos ser independentes (de pai, do irmão, e viver para si mesmo). É por isso que casamentos são fracassados, relações entre pais e filhos deterioradas, opções sexuais sendo elevadas à mesma categoria do que Deus criou (homem e mulher). Mas ao compreendermos os propósitos de Deus e as Escrituras Sagradas, vemos que Deus quer a dependência dEle. As pessoas hoje estão dependendo de redes sociais, das decisões pessoais, acham que conseguem tudo pela força do seu braço, pelo dinheiro e corrupção, e esquecem que existe um Deus onipresente, onisciente e onipotente, criador dos céus e terra, e de tudo o que vemos, onde o pecado, o juízo, e a justiça nos é colocado pelo Espírito Santo de Deus. Ser dependente da misericórdia e Graça do Senhor é maravilhoso. Tentar viver sem Ele é como estar debaixo de chuva e frio, sem blusa nem guarda-chuva - é impossível. Aliás, viver sem Deus é estar profundamente ligado ao pecado - a única coisa que nos afasta de Deus. E por isso, é comum ouvirmos pessoas que não conseguem nem orar para Deus, porque orar, nesses momentos, é olhar nos olhos de quem nos criou, pedir perdão, se arrepender e mudar de rota, e isso é muito difícil quando estamos com os pés atolados na lama. Quem já passou por isso, sabe. Precisamos uns dos outros, como Igreja.

E por fim, a morte. Como assim? Sim, porque Cristo se entregou na Cruz para nos salvar, seu sangue nos alcançou para que todo aquele que nEle crer, tenha vida eterna. Amém! "Morte" é vida, ou seja, Jesus deu sua vida para morrermos para este mundo, enquanto que sua morte na Cruz, gerou vida em nós. Morra para este mundo. Quem quer viver esta vida, que morra para ela, e este, ainda que morra, viverá, diz o Senhor. Pode ser um paradoxo para você, ainda, mas acredite, é tão profundo quanto libertador compreender a fé e a vida cristã. Por isso muitos não conseguem cumprir o Evangelho em sua vida, desistem pelo caminho - porque o Evangelho de Jesus é simples, mas cumpri-lo, é necessário entrega e obediência ao Senhor Jesus.

É por isso que digo que, quem nasceu 2 (duas) vezes, só morre 1 (uma) vez, e quem nasceu 1 (uma) vez, morre 2 (duas) vezes.

Amém!

Que Deus te ajude nesta peregrinação espiritual, querido!