Qual é o maior ídolo?
Nós mesmos. Nos achamos o máximo, nos adoramos. Orgulho. Sou o centro do universo.
Porque ficamos tristes, infelizes, magoados? Simples, porque chove no dia que não queremos e faz sol no dia que não queremos, assim nossas vontades não são satisfeitas. E a Bíblia diz que, de tanto nos acharmos o centro do universo, acabamos sendo o centro da nossa vida, egocêntricos, o centro do meu universo. Eu sou o deus, e como tal, tenho que ser adorado, minha vontade satisfeita. Me torno prisioneiro dentro de mim, refém da "vanglória" (glória vã) mesmo porque, tenho olhos mas não vejo (fora de mim), tenho ouvidos mas não ouço nada que vem de fora da minha consciência, tenho nariz mas não tenho sensibilidade, que como ovelhas, não sinto o cheiro do meu pastor. Habito a escuridão do meu próprio ego.
Nada de fora me chega e não caminho para fora.
Quem não ouve ninguém, perde as pessoas que as ouvia.
Eu ouço o pastor, mas se o pastor não me ouve, eu deixo de ouvi-lo. Deixo de ouvir, e ele pensa que é ouvido.
Sou menos que humano, escravizado do próprio ego, na escuridão da minha própria alma: me tornei igual ao ídolo que eu adoro. E quando mostramos que eu sei, eu consigo, eu posso e me garanto, recuso a vida que o Senhor tem pra mim. Quando percebo, estou "coisificado".
Entendeu que não é o centro do universo? Jesus é o centro. Quer ser gente de novo? Então vai, tocar em Cristo.
Quantos de nós ouvimos: "Ele não vê nada...". Perdeu a capacidade de ver tudo, trancado em si mesmo, se adora e não quer repartir a escuridão, não consegue descobrir que tem escuridão dentro dele. Ele só reclama, sua boca não consegue dizer algo agradável, nem louvar a Deus, porque o mundo não é como ele gostaria que fosse, nem sua esposa é, o trabalho também, os filhos também.
Quando Jesus chamar, dirá: "Onde, Senhor?". Não ouvirá, nem verá onde está, porque está cego. Não conseguirá chegar até Jesus pois seus pés estão amarrados. Não conseguirá tampouco tocar em Jesus, não vai conseguir, porque suas mãos estão atrofiadas.
Creia, Jesus veio para nos dar vida em abundância: "Deixe-me salvar você!"
Deus quer nos transformar em gente grande (http://marcioneves67.blogspot.com.br/2014/10/viver-como-gente-grande-pte1-lucas-2413.html), através de Jesus, que se restaure em mim o ser humano que deixou de ser: uma boca que transmita graça; capacidade de usar minhas mãos e meus pés, que eu possa ouvir Sua voz e sensibilidade para ouvir pessoas que nos amam; nos abra os olhos, me faz gente como gente deve ser.
Tudo é dádiva de Senhor. Reconheço que a minha vida é tua. Não á nós, mas ao Teu glorioso nome.
Eu creio.
Em Cristo, que nos cura as feridas para que saibamos que a glória é dEle.
Nenhuma glória para nós, mas ao Deus que está nos céus. Em Salmos 115, nos diz que seu povo (Israel) não adora seu verdadeiro Deus e corre atrás de ídolos, assim se desconfigura como povo e como filhos de Deus.
No livro do profeta Oséias, o povo de Israel é chamado de "filho" por Deus (Oséias 11:1). Era o povo para expressar a glória de Deus, era para ser luz para todas as nações, mas se iguala aos outros, se desconfigura, se tornando como seus ídolos: tem boca mas não fala, tem olhos mas não vêem, tem pés, mas não andam, tem mãos mas não tocam, tem ouvidos mas não ouvem. Assim somos nós também.
Então Jesus começa a agir: Um homem com demônio, era mudo (Lucas 11:14) - "tem boca mas não fala". Jesus o libertou e o homem começa a falar.
A caminho de Jericó (Lucas 18:35), encontra um cego - "tem olhos mas não vê". Jesus o cura e agora, o homem vê.
Um paralítico (João 5:5) no tanque de Betesda - "tem pés mas não andam". É também curado.
Um homem com mão atrofiada (Lucas 6:10) - "tem mão mas não pode pegar ou apalpar". Jesus o cura.
Observe que Jesus não atua nos milagres. Não usa milagres como forma de abençoar alguns em detrimento de outros, ou para nos dar conforto, mas fala claramente que Ele é o Filho de Deus, não pelos sinais, mas porque só Ele tira alguém das trevas e traz para sua maravilhosa luz.
E o que isso tem a ver conosco?
O pecado nos afasta de Deus. Antes de pecar, vem a desumanização, nos faz menos seres humanos, nos coisifica, nos bestializa. O pecado vai levando embora nossa humanidade, e cobre nossos ouvidos e olhos, trava nossa língua, mãos e pernas. E na Bíblia, as limitações físicas, são como sinais. E são as menores das limitações, pois quem não perdoa ou não ama, é mais limitado do que quem não enxerga ou não anda.
Israel abandonou a Deus, se desconfigurou, e hoje, diz o mesmo á nós: "Vocês foram se desconfigurando, deixaram de ser gente, pois se afastaram de mim!"
Todo pecado nos afasta da presença de Deus, mas a idolatria, nos condiciona a sermos o oposto, mais iguais á satanás do que de Deus. O oposto da fé é idolatria. Não é não crer em Deus, é crer em outro deus.
(leia a continuação)
Muitos outros sinais fez Jesus, mas nem todos eles estão no Novo Testamento, e isso é para que creiamos em Jesus como Filho de Deus.
Os sinais e milagres são o que menos importam, pois como diz o ditado "o sábio aponta para a lua e o tolo observa o dedo". Muitos ainda estão olhando para o dedo.
Sim, Jesus pode fazer milagres, como sempre fez, mas corremos o risco de nos perdermos olhando para os milagres, nos encantarmos, seduzidos pelas maravilhas dos milagres, e não buscamos a Cristo, por quem Ele é: o ungido, Filho do Deus vivo. E acabamos olhando apenas os milagres.
Os sinais apontam numa direção, e se prestarmos atenção não só nos milagres, entenderemos coisas profundas. Se olharmos apenas os milagres, não teremos a revelação do Espírito Santo para nós (a mesma revelação que Pedro teve) e perderemos a realidade por eles revelados: Jesus é o Cristo, o verbo, o pão nosso, maravilhoso conselheiro, Deus forte, príncipe da paz, Filho do Deus vivo.
E, por isso, faz milagres. Isso faz toda a diferença.
Jesus não fez nenhum milagre para provar que Ele era Deus. Fez milagres como sinais da sua identidade, de que era o Cristo, o ungido, o escolhido, o Messias esperado por Israel. Milagres são palavra de Deus ao coração de Israel e testemunho de Deus sobre aquEle a quem Deus escolheu: "Esse aqui é o Cristo!".
E tudo o que fez, esvaziado da Sua glória como Deus, é porque era um homem inteiramente entregue ao Espírito Santo de Deus: (http://marcioneves67.blogspot.com.br/2015/09/o-espirito-do-senhor-esta-sobre-mim_24.html) "O Espirito Santo de Deus está sobre mim! Tudo o que farei a partir de agora, o farei não porque sou Deus, mas porque sou filho, em obediência, ungido pelo Espírito Santo, capacitado para o fazer, e vocês receberão testemunho de quem sou".
E então Jesus começa a gir na comunidade, e as pessoas percebem, os doutores da lei, o sinédrio (tribunal religioso), especialmente. Á medida que Jesus agia, o povo era convencido e questionavam: "Este é ou não o messias?".
Os milagres eram sinais da identidade de Jesus.
Em Cristo, que apesar de ser Filho, se humilhou, e nos mostrou o caminho, a verdade e a vida, nEle mesmo.
Substituição e acumulação. É nosso modus vivendi, é a nossa sociedade, ou a Babilônia. Em Apocalipse 18 Deus julga a Babilônia, que é foi um grande comércio, vendendo desde tecidos finos, ouro, ervas, madeira, e até corpos e almas humanas. Um grande mercado. São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York, Itatiba, são grandes Babilônias - pode-se comprar o que quiser, quando e onde quiser. Nelson Rodrigues dizia que dinheiro compra até amor verdadeiro. Quem inventou isso foi Lúcifer, que entendeu que felicidade é não ter desejo sem realização, que feliz é o ego que não passa vontade, quando tem vontade, corre e a satisfaz, feliz é quem não espera. Tomo posse, me satisfaz e não passo vontade.
Mateus 4: "Jesus, você está com fome? Transforma essas pedras em pão... não é você o Filho de Deus?"; "Auto-imagem abalada, sozinho? Pula do Pináculo, vai aparecer em todas os jornais e TVs. Será adorado e aplaudido"; "Tem vontade ou desejo que brilha na vitrine? Não passe vontade, eu te dou tudo! Você pode ter tudo o que você quiser, você afinal, é o Filho de Deus!"
Os livros de auto-ajuda tinham que ter prefácio de Lúcifer, pois promete felicidade, solução para tudo, que não pode passar necessidade, pois você é Filho do Rei, não é mesmo?
O Pai é amor. O Filho não fala de felicidade, e o caminho do Filho de Deus é amor. Porque o caminho do egocentrismo (só eu!), é o caminho de Lúcifer. E isso gera toda a competição citada acima. Jesus sabe que todos somos um, se estamos em Cristo, ele está no Pai. O irmão é um pedação de mim que está fora de mim.
"Onde está o seu irmão?" (Gênesis 4:9)
Você pode responder "Sou eu guardador do meu irmão!", como Caim, ou responder: "Está aqui, Senhor, comigo, junto e misturado!".
Temos que ser um, nenhum homem é uma ilha. Há muitos homens que estão "fora". enquanto não der pão a quem tem fome, posso comer muito pão, mas nunca estarei satisfeito. enquanto houver alguém sem pão, roupa, preso, sem festa, com sede e fome. Enquanto do outro lado da minha janela tiver alguém com fome, uma parte de mim não estará satisfeita, terá fome.
Isso é amor e não cabe em si.
Quanto mais esqueço de mim mais bem-aventurado sou. Porque assim, estaremos mais perto de Deus. Nada faltará porque Ele é meu pastor, porque se Ele não deu, eu não preciso, e se Ele me deu, eu distribuo, porque não é meu, só administro.
Em Cristo, que se humilhou perante o Senhor, nos deu o exemplo, e ao seu tempo, foi exaltado.
O mundo hoje está em guerra, não apenas o ocidente e oriente, cristianismo e muçulmanos, católicos e protestantes, petróleo, partidos políticos ou pretos e brancos. Há uma violência geral. E numa instância menor, uma violência dentro de casa: pedofilia, casais que não querem se entender, competição, egoísmo, altivez, desamor, como tivéssemos adversários.
A força motriz: inveja e cobiça.
Desejamos e invejamos o que não somos nem temos, queremos e não temos a plenitude, a felicidade. Olhamos para pessoas, a qual elegemos como pessoas felizes, que tem a "cara" de felicidade, são populares, admiradas, devem ser feliz. E isso é inconsciente, profundo e inconfessável.
Gostaríamos de ser e ocupar o lugar delas. Não podemos. Então, compramos o que elas tem para nos parecer com elas (e nos fazer passar por 'pessoas felizes'): roupa, smartphone, carro, frequentar bares e restaurantes, o emprego, o salário, morar no mesmo bairro. Desejamos por imitação. Só que isso é o exterior.
Hoje há menos restaurantes finos que pessoas aguardando para entrar. Esse ambiente é para poucos. Há menos sandálias que pés aguardando para usá-los. E corremos para comprar o que não precisamos, ser aquilo que não somos, pagar com o que não temos, para mostrar para quem não gostamos, aquilo que não somos.
E nessa "corrida" pelo emprego, pelo smartphone, creme renew, bolsas e sandálias, damos soco, pontapé, soco no olho, cascudão, cotovelada, rasteira e uma voadora no próximo, puxamos seu tapete, corrompemos, damos gorgeta, falamos mal pelas costas, matamos espiritualmente, puxamos o saco, ou seja, chegar primeiro passando por cima dos outros, competindo entre nós torna-se válido para sermos quem queremos ser, sem nunca ter sido. Brigamos sem ninguém saber o porquê dessa briga. A busca por felicidade nos faz entrar em competição.
Todos tem acesso aos privilégios - cartão de crédito, cheque especial, empréstimos, prestações. Somos essa parcela da sociedade que vive a tentação em ceder ao discurso daqueles que dizem saber o que precisamos para sermos bem sucedidos. Tanta violência vem da inveja e da cobiça. Desejamos, competindo por aquilo que as pessoas tem, e nós não, trazendo o mundo para dentro de nossas vidas.
O texto de Tiago 1: 4-6, falou disso, há quase 2 mil anos.
O caminho onde a sociedade, individualista e consumista, vive pela acumulação. Isso é pensar na minha felicidade - "tenho direitos, não?".
Mas, isso trará felicidade á você? O que tem nas lojas e sites para você comprar trará felicidade? Matará sua fome? Vai substituindo, de tempos em tempos, uma coisa pela outra. Um curso, um celular, uma carreira, um dinheiro, uma sandália, uma TV, e até pessoas.
(leia a continuação)
Assim como nós, que saímos para pregar o Evangelho, ouvimos o chamado do "ide" ("eis-me aqui" ou "usa-me"), estamos não só adorando, mas servindo.
Não é "melhor", é apenas "maduro", mais profundo. Pois as pessoas como Marta, continuam a adorar ao Senhor, sabedor que um adorador é aquele que adora a Deus, em espírito e em verdade e nesse espírito vamos produzir, semear e colher, pregar o Evangelho em tempo e fora de tempo. Entendo que Jesus disse para Marta que há tempo para tudo.
Se alguém adora a Cristo, é porque o reconhece como Deus. Hoje, sabemos quem é Jesus - Marta e Maria ainda não haviam visto Jesus ressuscitar. Sabemos que o Espírito Santo já foi derramado sobre toda a carne (Romanos 5:5), e todos sabem quem é Deus (até os ímpios). Portanto, quando saímos para "servir" o próximo, amando-o, é com a direção do Espírito Santo. O excesso de serviço também causa males e dor, mas antecipo que a obra de Deus não é pesada a ninguém.
Deus vem em primeiro lugar, depois a família e depois o trabalho. Digo isso baseado no que Marta fez aqui.
A ansiedade é o medo do futuro e deixa o rosto abatido. Porém, o coração alegre aformoseia o rosto (Provérbios15:13), e Marta servia com seu coração.
Ao lermos essa história, sempre ouvi e vi Marta de modo negativo e Maria de modo positivo. Marta, no entanto, se colocou á frente para servir. Maria, se omitiu em servir, e só achegou quando tudo estava pronto. Assim como Marta, devemos servir, demonstrar que a oportunidade de mostrar nosso carinho e gratidão por quem nos dá o privilégio em tê-los como companhia.
Maria escolheu a melhor parte, Jesus. Isso é amar a Deus sobre todas as coisas.
E Marta escolheu servir, com o melhor que podia. E isso é amor ao próximo como a ti mesmo.
Como eu disse no início, aprendemos em dobro nesse texto.
Em Cristo, onde o fim da lei é toda a graça.
Marta e Maria nos oferecem um aprendizado duplo. Criadas em Betânia, irmãs de Lázaro, amigo do Senhor Jesus. Em suas personalidades diferentes, amavam a Jesus.
Muito se fala de Maria pois "escolheu a melhor parte" (Lucas 10:42), pois ficou ao lado de Jesus, enquanto Marta se preocupou com o jantar e arrumação da casa, estava inquieta com o trabalho sem ajuda. Essa é uma qualidade rara na mulheres modernas, ser hospitaleira, receber bem, com amor e alegria (I Pedro 4:9).
Você pode até pensar que Jesus a censurou, e o fez mesmo, mas criticou o "excesso" de serviço, não o servir. Marta já pertencia ao Senhor Jesus.
Apesar de Marta ter reclamado enquanto fazia tudo sozinha (Lucas 10:40), não podemos desviar nosso olhar do zelo e amor com que fazia o jantar e preparava a casa, para a vinda de Jesus. Assim como nós, servos do Senhor, aguardamos a sua volta. E quem, senão Marta, faria o jantar e prepararia a casa para a visita de Jesus? É necessário organização para dar prioridade ao que é urgente e o que é imprescindível. Afinal, não podemos fazer a obra de Deus relaxadamente, quem relaxa é irmão do que destrói (Provérbios 18:9). Ninguém pode dizer que ela não amava a Jesus pois além de também escolher a melhor parte, optou em "servir". Maria, no entanto, só o adorava. Comparo Maria aos que se sentem confortáveis na igreja, sempre no mesmo lugar, no mesmo horário, e louvam, choram, são 'crentes' na igreja. Mas, "servem" a quem? Deixam do seu tempo para "servir" o próximo? Cedem espaço em suas vidas? Aqui a crítica é ao excesso de serviço, que se torna um fardo pesado.
Porque Marta, somos nós, trabalhadores da vinha onde os campos estão brancos. Quando Jesus a repreende é no sentido de "esteja comigo, assim como sua irmã, pois amanhã não estarei mais entre vocês".
A maneira de Marta demonstrar seu carinho e amor por Jesus era servindo, trabalhando, suprindo a necessidade alheia, que fazia de todo coração. Marta adorou o Senhor e após isso, queria servir. E apesar de não gostar de comparações, é a diferença de Maria, que assim como muitos, continuam adorando, adorando e adorando, mas esquecem que Deus quer que saiamos do leitinho e comecemos a comer alimento sólido, ou seja, amadureçamos.
E isso, nada tem a ver com deixar de adorar, mas acrescentar o servir.
Vejo isso no "servir" de Marta. Maria adorava apenas. E fico muito tranquilo para dizer isso, pois há chamados diferentes para nós.
(leia a continuação)