quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Esmurrar a carne - I Cor 9.23-27

Nossa luta é constante: a carne contra o espírito. Eterna está no sentido de enquanto vivermos, pois aos salvos e crentes em Cristo Jesus pela fé, a eternidade será nossa morada. E nesta luta a grande dificuldade é porque está intrínseco, entradamente em nosso interior. Daí a dificuldade pois enquanto muitos oram em voz alta (para que os outros ouçam), cantam para serem ouvidos (não por o louvor a Deus), perpetuam no poder de uma Igreja com seu "cetro" não mais o "cajado" de pastor, acham que tem sempre algo a dizer sobre todos os assuntos, e estão na carne sem saber, outros preferem não aparecer, mas seguem no espírito. Ser egoísta (mal), é natural. Agora, fazer o bem é algo que tem que ser buscado. A luta está dentro de nós.

Paulo nos dá a receita: esmurrar a carne até sangrar. O que significa conduzir nosso corpo (carne, vontade própria, ego, desobediência) em direção à abstinência, resignação e privações. Mas tenha a certeza, amado, que jamais conseguirá se não encarar esse problema de frente, assumir a luta com dignidade. E isso não quer dizer sair vencedor ou não, mas lutar. Para se livrar o homem deve compreender: "Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" (Rm 7.24). Para que em seguida, ore: Graças te dou, Senhor para que me faça enxergar e lutar contra esse caminho da autodestruição! 

Viver segundo a carne, é morte. Mas viver no Espírito é matar as obras desta carne, que desde o nascimento, habita em nós. Que você, amado(a), viva a vida que deve ser vivida, segundo a Graça que recebemos, ainda que pareça difícil.

O Espírito Santo nos ajuda em nossa fraqueza para lidarmos com a rejeição, a tristeza ou o vício. Assim, entenda que, ao invocar o nome de Jesus Cristo, que tem todo o poder nos céus e na terra, a sua realidade começará a mudar. Não é passe de mágica como nos filmes da Disney, mas a mudança se dará dentro de você, ao enfrentar os problemas, as doenças, a solidão, a dificuldade com outro olhar: a dependência de Jesus. Conseguirá lutar e vencer a carne, não que o problema mudou, mas você mudou de "senhor", não é mais você, a carne, seu ego ou as coisas que possui, mas é Cristo agora, seu único Senhor e Salvador da sua vida quem cuida de ti.

Só conseguiremos abandonar quem somos (morrer!) se decidirmos viver a vida que Deus quer para nós - e pode ter certeza que a vontade de Deus continua a ser "boa, agradável e perfeita" (Rm 12.2).

Você trabalhar para edificar a sua casa, mas é o Senhor Jesus quem a edificará. Você planta, Deus é quem dará o sol, o solo, a chuva, a sombra, para que a colheita seja perfeita, na qualidade e na medida que plantou.


Deus os abençoe!

Amem!


segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Epifania (pte.1) - Mt 2.1-14

Quero falar sobre "epifania" porque enquanto o mundo religioso e político na época do nascimento de Jesus se preocupava com Sua chegada, os que nada tinha a ver com isso, celebravam e ansiavam, pela presença do Messias. O que tem a ver a epifania (do grego, significa "manifestação", conceito cristão onde a Bíblia se refere ao modo que Deus se revela aos homens) com a encarnação de Jesus?

Primeiro, Jesus é Deus. E Jesus mostrou a todos que nasceu para estender a todos a Salvação, para se entregar e morrer por todos, nos amando quando ainda éramos pecadores.

Epifania é a presença viva, experiência, percepção de Deus na vida de cada um. A sarça ardente (Ex 3.2) foi uma epifania, bem como a transfiguração de Jesus (Lc 9.29), os discípulos á caminho de Emaús (Lc 24.15,16), a encarnação de Jesus é a própria presença de Deus entre nós! (Jo 1.1-15).

Interessante é que, estamos na presença de Deus a todo momento - Deus é onipresente - apesar de alguns orarem: "Entrando em Tua presença, Senhor...". Pior deve ser a última pessoa que ora: "Saindo da Sua presença, Senhor...", é isso? Não existe essa possibilidade. Se sai da presença de Deus só pode ir para o inferno! 

E é na presença de Deus que somos tomados de choro, arrependimento, gratidão, medo, temor, e só assim é possível entender porque na Bíblia, quando Deus se aproxima do ser humano, logo diz: "Não temas!" (Jo 6.20), porque a presença de Deus na experiência de uma epifania faz com que temamos, não tem jeito.

Os homens da Bíblia que vivem na presença de Deus nos dão exemplo de comportamento. Abraão tinha essa consciência, vivia na presença de Deus constantemente e viveu repetidas epifanias (Gn 12.1-3), e ele segue sua vida pisando nas promessas feitas por Deus: Ser pai de grande nação, abençoado, sua descendência estará sobre todas as famílias da terra, seria protegido de Deus pois àqueles que o amaldiçoarem, seriam amaldiçoados, e os que o abençoarem, seriam abençoados.

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Epifania (pte.2) - Mt 2.1-14



A fé em Cristo nos leva ao céu. Mas até lá, viveremos o inferno aqui. Ou seja, viveremos situações que nos façam buscar a Deus verdadeiramente, de todo coração.

Quer conhecer Deus? Ser abençoado? Entenda que terá que encarar o mal e usar suas próprias experiências porque só buscamos a Deus quando é difícil (ou impossível) enfrentarmos o que não conseguimos vencer, e como fracos ou derrotados, buscamos o Senhor - qual o motivo real de buscar a Cristo se temos o poder de vencer os obstáculos? Para que Deus? Este o maior argumento dos ricos, que possuem tudo, até a ficha cair. Este é o nosso vale da sombra e da morte - viver sem Deus.

Falo do inferno como ambiente onde não há vestígio da presença de Deus - onde sustenta o mundo através da Sua Graça (afinal, a chuva cai para justos e injustos). Onde há esperança há sinais de Deus, e nestes lugares, ninguém estende a mão para ajudar: solidariedade, generosidade, compaixão, e estas são a prova da presença de Deus. 
É nesses ambientes que se perde até o sabor, pois há angústia, desespero e aflição, sem qualquer sinal de Deus.
Nesses ambientes há culpa, vergonha, abandono, e parece que Deus não é alcançado, nem responde e começamos a duvidar da presença de Deus, não desfrutando da alegria de Sua presença porque desconfiamos que a situação adversa não vai passar e a tristeza que nos abate, será a nossa vida eterna.

Esse inferno vemos todos os dias na Tv (morte, corrupção, sequestro, violência, iniquidade, mal) - o que detém uma pessoa que não teme a Deus? É quando achamos que o desespero não sai de nós que caímos de joelhos no chão e nos rendemos ao Senhor, clamando por Sua presença. Esse desespero vivido é o mundo que vivemos quando Deus está ausente ou abandonamos a presença de Deus para viver nossa vida, e ignoramos que, em tudo, dependemos do Senhor para viver uma vida que deve ser vivida.

Quando achamos Deus?
Somente quando o buscarmos de todo o coração. E o buscamos de todo coração porque vivemos o inferno: o advogado não resolveu, o remédio não resolveu, o dinheiro não resolveu, a oração do apóstolo não resolveu, o perdão não resolveu, e é aqui, passando pelo inferno que buscamos a Deus de todo o coração - porque foi tudo (ou só isso) que nos restou.

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Epifania (pte.3) - Mt 2.1-14


Assim como Abraão, leal e abençoado, Deus se manifestou, houve relacionamento, sem inferno. Porém, quando a promessa de Abraão chega, nasce seu filho Isaac, ponte para todas as outras promessas de Deus (para que fosse uma grande nação), onde Isaac é a chave, é que Deus pede o sacrifício dessa promessa. Pronto, eis o inferno. Preservar o sonho de Deus e obedecer ou não sacrificar o que é meu e romper com Deus? Não há saída. Mas, ao contrário de muitos de nós, Abraão obedece, confiando que Deus tinha mesmo a boa, agradável e perfeita vontade para ele.

Deus mostra aqui como o mundo é sem ter parte com Ele. O que nos tornamos quando saímos da Sua presença e vivemos independente da filiação. Talvez um Caim. E em meio a este desespero, quando as coisas não saem do jeito que planejamos ou gostaríamos que fossem, é que buscamos a Deus. E será perfeito quando buscarmos de todo nosso coração.

Abraão foi ao inferno, bem como alguns de nós. Alguns tem Deus para levá-los ao inferno, para que acorde, e trazê-los de volta. Outros, não. Estes nunca foram ensinados, e não sabem como sair dessa situação, pois àqueles que deveriam ensinar e praticar o Evangelho, não fizeram a lição de casa.

Quando Deus te chamar, Ele quer intimidade, relacionamento. Porém, saiba que, em meio a essa construção chamada 'relacionamento' passaremos pelo inferno. Imagine Abraão dizendo para Sara: "Olha, vou orar, sacrificar no monte, matar Isaac e já volto". Sara, provavelmente, falaria como a mulher de Jó. O coração de Abraão ficou igual ao coração de Jó: "Deus me deu, Deus o tomou - Bendito o nome do Senhor!" (Jó 1.21). 

Muitos pensam que Abraão passou no teste, então. Mas Abraão, tenho certeza, perguntaria: "Mas que teste?". Abraão passa pelo teste e permanece fiel a Deus, ainda que corra o risco de perder tudo. Ele poderia dizer: "Me tire tudo, menos Isaac!" - este era o "tudo" de Abraão. E é por isso que tinha que ser o Isaac.

Você seria capaz de devolver tudo o que Deus te deu?

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Epifania (pte.4) - Mt 2.1-14

É como se Deus dissesse para mim: "Márcio, sabe que te amo... Você é meu filho amado. Vi você ministrando a Palavra, louvando, orando, buscando, quer ser usado, quer minha companhia, e vi que toda sua esperança está em mim, também quer que eu me mostre a você, te guie, te abençoe, que tudo o que tens é meu, Eu ouvi... Eu gostei! Agora, filho, olha para mim: Você vai continuar me amando e nada disso acontecer? Se eu não falar mais contigo? Quando quiser ser consolado, acarinhado, meu colo, realizar seus desejos, concretizar seus sonhos, e não receber, você vai continuar me amando? Se eu tirar tudo o que te dei, tudo o que tem, vai continuar me amando e dizendo: 'Eis-me aqui'? Posso não dar mais nada a você? Posso ser Deus na sua vida? Ou prefere que Eu seja apenas patrocinador do que me pede? Você me busca para se livrar da sua angústia da alma, seu medo e ansiedade? Me busca porque tem medo de passar fome e por isso é fiel a mim? Posso pedir o seu Isaac?".

Qual seria sua resposta? 
Muitos diriam: "Pai, posso orar?" - mas vai orar para quem? É dessa forma que este seria o nosso inferno, não há mais a quem orar. É você e a escuridão, é perder ou perder - ou segue Deus e perde tudo, ou segura o que ama e perde Deus - o que na verdade é igual a perder tudo.

Acredito que a resposta que Deus gostaria de ouvir é: "Sim, Pai, o Senhor pode qualquer coisa, pode entrar na minha vida, na minha casa e tomar o que o Senhor quiser, tudo é Teu". Deus pode dizer que este será um ano de perdas. Sim, pode, e ainda que seja um ano de perdas, quero dizer: "Na boa, Senhor, se estiver comigo, passo tranquilo pela necessidade ou fartura".

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Epifania (pte.5) - Mt 2.1-14

Está preparado para ouvir de Deus:

- "Aquilo que eu prometi, vai demorar uns 40 anos, ok?";

- "Está tudo bem, Senhor...";

- "Posso deixar você naufragar, ser apedrejado, na cadeia, apanhar e sofrer?";

- "Pode sim, Senhor...";

- "Filho, posso deixar você morrer por estes pecadores para redimir a humanidade? Andar sobre as águas? Curar leprosos e enfermos? Expulsar demônios? Transformar água em vinho? Ressuscitar mortos? Ser cuspido, perseguido, ofendido, apanhar, usar uma coroa de espinhos e ser crucificado? E manifestar o Meu Espírito?";

- "Pode sim, Pai".

Nessa hora, você estará suando sangue e um anjo dirá: "Parabéns, passou no teste! Foi fiel a Deus mesmo vivendo um inferno" - é aqui que experimentamos o paradoxo da Bíblia: Quem quiser preservar sua vida, perdê-la-á. E quem entregar sua vida por amor de Cristo, viverá eternamente.

Você é abençoado na exata medida que abre mão de ser abençoado (Sl 25.14). Não é para ninguém, a não ser, os que o temem. Quando Deus levar o seu Isaac ainda será fiel a Deus? Parece loucura mas é isso que Deus propõe: Posso levar o seu Isaac? Pode... Então, agora pode ficar com seu Isaac.

Quando Deus subjuga Sodoma, diz: "Meus segredos são para os que me temem, os que dizem "Sim, Senhor!" (Gn 18.17).

Quando Deus subjuga Sodoma, diz: "Ocultarei eu o que pretendo viver de Abraão? Meus segredos são para os que me temem"

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Epifania (pte.6) - Mt 2.1-14

Ás vezes, percebo que as pessoas estão viciadas no jogo da religião, onde as pessoas sabem mais as músicas que a Palavra de Deus - é bênção pra lá, bênção pra lá, lógicas que semeiam em nosso coração: Deus abrirá o mar, fará o sol parar, teremos prosperidade, que Deus falou com ele de manhã, á tarde disse outra coisa, e á noite, outra - afinal, Deus pode tudo! E é acreditando nisso que se cria a expectativa de que Deus fará tudo para que sejamos felizes. Será que as pessoas estão afogadas nesses sentimentos de que Deus vai fazer que elas contribuem mais? Pense.
Porém, a estas pessoas que vivem de promessa dos homens, vivem se arrepiando em culto, adoram cantar e gritar, quando passar a emoção, saem da Igreja. Agora está explicado o êxodo das Igrejas? 
A qualquer frustração, o melindroso se desestabiliza, fica sem chão, porque não estava firmado na rocha, e sim, na lógica da religião, que ensina o triunfalismo, que nada pode dar errado na vida de quem anda com Deus - a estes, desejo que leiam a Palavra de Deus e vejam a vida de Moisés, Abraão, Noé, Davi, Jacó, Paulo, Estevão, e claro, Jesus. E essa lógica da religião, de tão entranhada no cerne humano, quando alguém se divorcia, quando não engravidar, quando ficar desempregado(a), se foi abandonado ou maltratado, se o filho fez, se o cônjuge não fez, desaba. E ainda acusam esta pessoa de que, se tivesse feito tudo certo, nada disso teria acontecido - esta é a lógica da religião: "A culpa é minha e coloco ela em quem eu quero" - no caso, no crente, porque ele sempre ouviu que tudo vai dar certo.

A coisa é tão solta e doida que no culto de oração ou no culto no lar, anotam os pedidos de oração num caderno, e quando alguém é alcançado pela Graça de Deus e a oração é respondida, Deus vira refém das nossas expectativas, e "ai" dEle se não fizer mais milagres. Lembre, oramos porque necessitamos da Sua graça e misericórdia, não que Deus tenha que responder.
A Palavra de Deus diz claramente para nos deleitarmos no Senhor e Ele concederá os desejos do nosso coração, mas jamais diz para se deleitar nos desejos do seu coração e encher o saco de Deus para que Ele te dê o que você quer.

Não viva em função do "Isaac" que Deus te deu, viva porém, em função do Deus que deu o seu "Isaac". E ainda que não tenha o "seu Isaac", você ainda terá a Deus. Se viver em função do "seu Isaac", quando seu Isaac faltar, você se revoltará contra Deus. Já viu isso acontecer?

Imagino se Deus dissesse no culto que ficará uns 25 anos sem abençoar ninguém. Não sei quantos voltariam no domingo seguinte.

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