sábado, 22 de maio de 2021

Porque não quer mais? (pte.3) - Sl 122.1,2

Por isso, mestres e pastores, alerto: que vossas mensagens sejam sempre voltadas para a Salvação das almas, o sacrifício vicário de Jesus, e fundamentalmente, o Cristo ressurreto - esta sim, a mensagem central das Escrituras Sagradas.

A saída das Igrejas, tem a conotação da maturidade espiritual. Sair significa recusar a mudança proposta, assim não cresce e continua a tomar leitinho (I Cor 3.2), e chora, e reclama, cita nomes, aponta erros - mas não se levanta para fazer nada, e o pior, não traz para si a mudança, sempre espera o outro, o ministério, o líder, a Igreja mudar. Este comportamento é propício para não criar raízes, não cria identificação, não participa, e fica vulnerável, sempre levado por ventos de qualquer doutrina, o que é motivo para arrancá-lo da Igreja. Isso só confirma o que sempre digo: a pior fase para o cristão é o permanecer. Não há membros mais importantes num corpo.

Qual tem sido o seu alicerce? A Tv ou a Bíblia?

Deus instituiu a Igreja como modelo padrão para o ajuntamento de pessoas. Venha e permaneça, se coloque à disposição. Acha que o louvor, a recepção, a comunicação, a dança, o teatro, a manutenção, o ministério, não estão bons? Venha e ajude a melhorar, faça parte, dê ideias, honre o lugar que Deus te trouxe, contribua, honre a autoridade eclesiástica que Deus colocou sobre você. Deus conta com você, mas se você não quiser, a obra do Senhor não para.


Graça e paz!

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Juventude - Ec 11.9,10


Triste realidade. A Bíblia continua a ser o jornal de hoje. Resolvi escrever porque vi esse rapaz, que caiu da janela e morreu, cantar "Eu escolho Deus" (Thalles Roberto) e me emocionei, justamente porque naquele momento estava refletindo sobre tudo. Foi um puxão de orelha de Deus para que eu orasse, e chorei. Pedi perdão, orei pela família, e não sabemos como é o trabalhar de Deus no coração das pessoas, e assim como aconteceu comigo, retirado do mundo, talvez algum anjo do Senhor estivesse ministrando ao coração deste rapaz. E decidi escrever que, eu não o conheço, nem as suas músicas, mas vejo que a Palavra de Deus se cumpre na vida de muitos jovens. A vida é passageira e frágil e conseguimos tirar lições deste triste episódio - devemos sempre orar pela vida.

Em Ec 11.9,10, Salomão fala da vaidade da juventude, da pressa em ser feliz do jeito que querem, mas adverte que prestarão conta ao Deus da vida de tudo o que fizerem.

Quando jovens, nos alegramos pois tudo podemos e conseguimos fazer, assim, só fazemos o que queremos e o que nos agrada. Mas a maior lição aqui é iremos prestar contas a Deus. Não é opção ou desejo, é um fato. E se Deus descortinar a vida destes jovens, assim como este rapaz que morreu estupidamente, o que veremos? Coisas boas ou coisas ruins? Vida dedicada e consagrada aos bons caminhos e praticar o bem, ou a vã glória, egoísmo, fazer o que se quer ainda que em prejuízo a outros, e principalmente, pecado? Os jovens estão se perdendo, a começar pelo mandamento (não é pedido, portanto) para honrar pai e mãe para que sejam longos os seus dias na terra - como vemos, o deste jovem foi curto, apenas 23 anos.

Tudo na vida é vaidade. Imagine só para alguém jovem, que não tem maturidade, que anda com pessoas que estão longe de serem sábias e que possam acrescentar alguma sabedoria à vida, e ainda ter dinheiro - algo que além de comprar pessoas e coisas, te deixa acima da média? É uma bomba relógio com prazo de validade para explodir. Um dia, a casa cai. No texto de Jó 8.8 a Palavra de Deus pede para que perguntemos aos nossos pais, que já passaram pela experiência, para que assim, quem sabe, nos aperfeiçoemos, pois a vida é curta.

E para finalizar, todos nós devemos estar prontos para nos encontrar com Deus e sermos julgados pelas boas obras. Vejo artistas que cantam louvores, dizem que amam a Deus, mas não saem da mídia, com roupas curtíssimas, fazendo o que desagrada ao Senhor. Não entendo. Tudo por um punhado de ouro e prata, que este rapaz agora morto, não levará consigo, mas deixará aqui para que tenham mais contendas, àqueles que ficaram.

A vida é como a flor do campo floresce, logo vem o vento e ela se vai. Se não for por Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e os homens, a sua eternidade está selada. Que a morte deste rapaz, de 23 anos, sirva ao menos de alerta para os jovens desta geração, buscarem ao Pai enquanto se pode achar. Este rapaz, agora, já não pode...


Graça e paz!

segunda-feira, 17 de maio de 2021

O outro e eu (pte.1) - Gn 1.26,27

Ouvi um pastor que gosto muito falar sobre "outramento". Achei o termo bizarro, ao mesmo tempo, curioso. Descobri que o poeta lusitano Fernando Pessoa inventou tal termo: "Eu, poder ser tu, sem deixar de ser eu" - o que tem tudo a ver com o Evangelho de Jesus.

E o verbo correspondente "Outrar-se" é simplesmente deixar-se contagiar pelo outro, em vários sentidos, tanto novo quanto diferente, no que se refere à cultura, linguagem, pensamentos, etc. E durante este processo de outramento transformar-se em novo ser, com nova forma de olhar e percepção ao seu redor, inclusive, do outro.

A pandemia nos deu isso de presente. Em tudo dai graças, e louvo a Deus porque várias pessoas, OSCs e entidades diferentes perceberam que a fome é maior que a pandemia. E muitos tem se motivado a ajudar o próximo.

Ser imagem e semelhança de Deus é uma "unidade plural" - um só Deus na comunhão de 3 pessoas (o Pai, o Filho e o Espírito Santo), ou o mistério da Trindade. Este Deus que é uno e plural, sem qualquer incongruência, criou o homem semelhante/igual, logo, somos também um ser "unidade plural". O conceito de "indivíduo" (ou cada um por si) cai por terra já que na Bíblia não existe o indivíduo, mas existe a pessoa, e sabemos que a Salvação é pessoal, mas não é individual. A relação com Deus sempre foi pessoal, desde Adão, mas não é individual. Ser humano é ser plural.

(leia a continuação) 

O outro e eu (pte.2) - Gn 1.26,27

Ao entrar na presença de Deus, em oração, carrego a humanidade comigo. Assim, vemos Caim matar seu irmão Abel, e diante disso, ouve: "Onde está o seu irmão?", no qual responde: "Sou eu guardador do meu irmão?" (Gn 4.9). Esse diálogo mostra 2 coisas: quem somos e a resposta de Deus ("Claro que é!!"), que define que está sobre nós o cuidado de nosso irmão. Só não me pergunte "quem" é o seu irmão (leia a parábola do bom samaritano, sim?).

Nosso próximo é nosso irmão, não é "outro". O outro, no caso, é Deus. Outro ser humano ao meu lado não é outro, sou eu! Se Eva era osso dos ossos e carne da carne de Adão, então, Eva era o próprio Adão, não era "outro", entende? Apenas uma unidade.

5 (cinco) seres humanos são um e 1 milhão de seres humanos são um, uma unidade. Na cultura hebraica, Israel tem essa consciência, pois ao ler na placa do Centro Hebraico (Sumaré/SP), que é a mesma placa existente no museu de Israel, diz: "O holocausto não matou 6 milhões de judeus. Matou o judeu 6 milhões de vezes". Assim também é o corpo de Cristo, mesmo tendo muitos membros somos um só corpo (I Cor 12.12). O ser humano, criado à imagem e semelhança do Pai é plural, apesar de ser uma unidade, porque Deus é assim - plural!

Então, a partir de agora, já sabe: o que chamamos de "outro", não é o outro, sou eu.

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O outro e eu (pte.3) - Gn 1.26,27

Não é possível escolher ser sozinho, porque nunca somos ou estamos sozinhos. Pode haver a opção da solitude, mas nunca estará sozinho. Tenho em mim meus ancestrais (DNA), pais, avós, bisavós - portanto, não sou sozinho. Nem autosuficiente, pois carecemos uns dos outros para sobreviver, socializar, construir nossa identidade e humanidade. Não há ser completo sem comunhão, relacionamento.

O poder do outro (outramento) sobre nós advém da simples razão de que eu ou você, jamais teríamos vida sem o próximo. Não haveria construção alguma do meu ser sem o próximo. Duvida? São muitos que afetaram minha vida a ponto de ser quem eu sou hoje, já que dependo do próximo para chegar na minha casa ou estar onde estou (estrada, carro, rua, luz, água, combustível, chuveiro quente, dinheiro, etc). Em tudo há alguém que eu dependo, e este é o poder do próximo: dependo do próximo para algo em minha vida. Mesmo se achar que não depende de tanta gente assim, ao estar numa Igreja, você chega está tudo limpo, não? Alguém limpou. Há luz e água, não? Alguém instalou e pagamos para chegar até você. Alguém construiu ou alugou este imóvel, não? Se tem emprego, alguém o contratou, não? Seu chefe, o policial, o locador do imóvel, o encanador ou eletricista, tem poder sobre você? Sim.

É dessa forma que somos plurais, estar numa relação com o próximo não é opção, mas uma constituição natural do ser humano. É aqui que você descobre que sim, sou guardador do meu irmão, porque fomos criados como unidade plural.

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O outro e eu (pte.4) - Gn 1.26,27

O próximo pode ser a materialização do que te perturba. Quando vejo algo no outro que não tolero em mim, por exemplo, isso me afeta, porque revela minhas sombras - este é o poder do outro sobre mim. Consciente ou inconsciente, quero acabar com ele (Caim e Abel). O próximo desperta instintos primitivos, justamente pelo poder que tem sobre nós, e acabamos perdendo o controle emocional, falamos coisas que não gostaríamos. E o mais perturbador, é que este próximo é a o modo de nos aproximarmos de Deus.

 A imagem de Deus está no próximo - Deus é Espírito - e só assim podemos servir a Deus, através do próximo. Se Jesus teve fome, sede, sentiu frio, foi preso e doente, como nós servimos a Ele? Porque servimos ao próximo! (Mt 25.35-40). Quer servir a Deus? Sirva ao próximo.

Deus não precisa de manjar, frango, farofa ou vela na esquina, nem daquela musiquinha que canta aos domingos. Mas nós, sim, precisamos do próximo, um sacramento para não ficarmos no vazio, pois sem o próximo, nem de Deus nos aproximamos. E tenha certeza: ao se aproximar de Deus sozinho, ouvirá: "Cadê o seu irmão?" (Gn 4.9). Entenda que não poderá se aproximar de Deus vendo seu próximo sendo violentado em seus direitos, com frio e fome, acreditando que nada tem a ver com seu irmão, que sofre.

Aliás, Deus se achega a nós através do próximo.

(leia a continuação) 

O outro e eu (pte.5) - Gn 1.26,27

A manifestação do Espírito Santo em cada um é através dos dons espirituais manifestos para que a pessoa sirva - e só poderá servir à Igreja, para edificação de seus irmãos. Deus me deu dons, que apesar de serem para o meu uso, são para usá-los pela causa e por amor ao próximo. É o Espírito Santo de Deus agindo. Como Deus vai acabar com a fome alheia se eu não der metade do meu pão? Como vai acabar com o frio do próximo se não cedermos nosso teto? Como Deus vai consolar o próximo se eu não abraçá-lo? Ouço muitos orarem para que Deus envie seus anjos nos morros controlados por traficantes, nas prisões, nas guerras, na fome... Mas alguém tem que ir lá. Como amará a Deus, que não vê, se não consegue amar a quem vê? Se não está suscetível para ouvir o próximo, como ouvirá o Espírito Santo?

O próximo é a materialização dos meus medos e demônios, também é a materialização de Deus. Confessar os pecados, uns aos outros para que sejamos curados, é porque podemos ser perdoados, aceitos e suportados por nossos irmãos. Ao partilhar meus pecados a quem me ama, excluo a vergonha pública, mostrando quem sou, e se aceito, o amor de Deus se materializou.

O outro exerce poder sobre nós, que é Deus, através da vida dele. Se o poder de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza, ao nos vulnerabilizar, nos expor diante do próximo, o poder de Deus se materializa em minha vida. Há perdão, há cura.

Por isso, a Igreja do Senhor deve ser um ambiente acolhedor, receptivo, inclusivo, jamais excludente. A comunidade criada por Cristo é a comunidade dos pecadores que confessam seu pecado e ouvem: "Eu te perdoo!".


Que a Graça de Deus, o Pai, seja sentida por todos que fazem parte desta comunidade chamada Igreja. Amém!